A Clareza na Tarefa

 

 

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Da Série: Socorro, meu aluno não estuda!

Minha luta eterna é fazer os alunos estudarem, e quando isso ocorre regularmente a minha luta torna-se fazer com que intensifiquem o tempo e a qualidade desse estudo! Mas confesso que é muito frustrante sair de uma ótima aula, onde você estuda junto com o aluno, mostra todo o passo a passo, e termina achando que ele compreendeu tudo e então chega a aula seguinte e você ouve a frase clássica no cancioneiro estudantil: “não entendi a tarefa”. É nessas horas que a gente conta até 1000, respira fundo, e diz calmamente: “ok, o que você não entendeu exatamente?”

Antigamente eu achava que era malandragem do aluno (e em alguns casos raros, ainda acho que é), mas obviamente tomei a responsabilidade para mim, afinal se ele não entendeu como estudar, há uma grande chance de eu não estar sendo clara na hora de passar o dever de casa, não é mesmo?

A partir dessa experiência, gostaria de sugerir 6 pontos baseados na minha observação e também com ideias do livro The Practice Revolution do Philip Johnston.

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1. Anotar: não consigo conceber uma aula em que o aluno saia sem anotar nada do que ficou de tarefa! Uma semana é muito tempo e ele pode não lembrar. Mesmo que estude no dia seguinte, sempre há o risco de questões importantes se perderem. Então, como já compartilhei em um post anterior, eu uso uma agendinha específica para isso, onde anoto o dever de casa da semana! Mas qualquer cadernetinha, caderno, ou bloquinho que possa ser usado nas aulas já serve!

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Se você ainda não viu o post sobre a agendinha, clique AQUI!

2. Escrever o suficiente: é muito importante ter um equilíbrio entre escrever coisas vagas e óbvias como “estudar” ou “estudar mais” e anotar com os mínimos detalhes numa “verborragia” medonha que vai fazer o aluno ter preguiça de ler, ficar desanimado com a quantidade de coisas a fazer e desistir logo de cara! O segredo é escrever o suficiente, usar palavras chaves, chamar a atenção para os pontos importantes anotados na própria partitura.

Abaixo segue um exemplo da tarefa de uma aluna de 7 anos. Como na página do livro já havia colocado muitas anotações do que ela deveria fazer, fui econômica na hora de escrever, apenas enfatizando a importância dela repetir determinado número de vezes (os pequenos não entendem muito bem a importância da repetição para o aprendizado e acham que tocando uma só vez está bom!)

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3. Clareza: essa questão é essencial! Escrever com letra cursiva para alunos em séries iniciais que só entendem letra de forma, ou um garrancho que nem mesmo os alunos adultos entendem, pode ser um problema! A letra deve ser clara, legível e compatível com cada idade! Para as crianças, uso muitas cores, tento deixar o mais bonito, claro e objetivo possível! Os alunos adolescentes e adultos escrevem eles mesmos os pontos que ficam de tarefa! Isso ajudará a lembrar o que devem estudar, além de que escreverão de um jeito que eles mesmos entendem!
Abaixo tenho duas fotos de exemplos de anotações, a primeira é de uma aluna de 8 anos, escrito por mim e a segunda de uma de 13, escrito por ela mesma:

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4. O momento da revisão: no final da aula SEMPRE eu dedico 1 minuto para revisar os pontos que ficaram de tarefa. Faço os alunos lerem o que eu escrevi e pergunto se ficou alguma dúvida, ou peço para eles lerem o que eles mesmos escreveram para ter certeza de que vão sair da aula seguros do que precisa ser trabalhado. O Philip Johnston chega a ter uma poltrona especial no estúdio dele que é a “Poltrona da Tarefa”. Os alunos não podem ir embora sem antes se sentarem lá e revisarem todos os pontos que devem ser estudados naquela semana!

5. Envolver os pais: para as crianças é MUITO importante envolver os pais! Eu geralmente tiro foto da página da tarefa e mando para eles por WhatsApp com a seguinte mensagem:

“Queridos pais, isso é o que a Maria precisa fazer essa semana para a aula de piano. Por favor, verifique se o estudo está acontecendo e, se possível, separe um tempo na sua agenda para sentar-se ao lado dela e ouví-la tocar! Muito obrigada por seu apoio! Isso faz toda a diferença nas nossas aulas.”

Não posso deixar de reforçar o quanto esse envolvimento da família é essencial! A diferença dos alunos em que os pais participam ativamente do aprendizado é gigantesca, comparado com aqueles em que a família pouco se importa e não há estrutura com horários e regras de estudo na casa! Aliás, esse é um dos meus pontos de corte na hora de selecionar novos alunos!

6. Estar à disposição: mesmo depois de tudo isso, dúvidas ainda podem surgir, nesse caso eu sempre deixo meu endereço de Skype disponível. Eu não vou ficar online o tempo todo (óbvio), mas eles sempre podem me mandar mensagens ou vídeos off-line e quando eu tenho algum tempinho durante o dia eu respondo para ajudá-los a continuar estudando corretamente. (sem ter que esperar uma semana inteira para isso!) Você pode pensar: “mas que absurdo, você já não trabalha o suficiente?” Bem, esse é um serviço extra que além de ajudar muito os alunos também justifica o valor das minhas aulas! 😉

Então acho que por hoje era isso! Se você tem outras estratégias na hora de deixar a tarefa e se certificar de que o aluno compreendeu bem o que precisa ser feito, por favor, compartilhe comigo e com os colegas que seguem esse blog! Adoraria ouvir suas ideias e sugestões! Preciso continuar aprendendo sempre!

Obrigada,

Mirka.

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2 opiniões sobre “A Clareza na Tarefa

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